La copa se mira y no se toca

Com uma vitória de virada por 2 a 1, o Estudiantes de La Plata conquistou nessa quarta-feira a Copa Libertadores de 2009. Atuando em pleno Mineirão, a equipe argentina soube segurar o Cruzeiro, e foi melhor durante o jogo todo. O título deixa o Estudiantes como a terceira equipe da Argentina em títulos da Libertadores, apenas atrás de Independiente (7) e Boca Juniors (6).

O jogo

A esperada pressão inicial do Cruzeiro, tão antevista por narradores “filósofos da bola”, e pela própria torcida mineira, não veio. Com uma marcação inteligente, e muita catimba, o Estudiantes conseguiu segurar a equipe cruzeirense, que não conseguia fazer o que melhor soube demonstrar ao longo do campeonato: o toque de bola envolvente, os ataques rápidos e as investidas pelas pontas. “Craques”como Ramires, Wagner e Marquinhos Paraná demonstraram nervosismo e infantilidade, e caíram constantemente nas provocações adversárias. Talvez imaginassem que se tratava do campeonato Mineiro.

O jogo era final de Libertadores, e quem parece ter se tocado disso foi o técnico Adilson “Capitão América” Batista. Após o intervalo, o Cruzeiro voltou melhor para o segundo tempo e até conseguiu fazer um gol, com Henrique, num chute de fora da área. A festa era azul. Mas, faltou o cuidado de ver o relógio, e perceber que ainda havia muito jogo pela frente. A equipe mineira relaxou em campo, como que aliviada pelo gol.

Quem aproveitou foi o Estudiantes que, 5 minutos depois do gol cruzeirense, empatou. Numa investida pela esquerda e após um lançamento genial de Verón para o lateral direito a bola cruzada na área chega ao atacante Fernadez. Sem marcação, o argentino marcou e calou um já quieto Mineirão.
O mesmo clima do primeiro tempo voltou. O Cruzeiro nervoso, não conseguia atacar de maneira eficiente, enquanto os argentinos se defendiam sem maiores problemas, com uma atuação perfeita da dupla Schiavi e Dessábato (tidos como “lentos e atrasados”pela imprensa tupiniquim) ,e também conseguia liberdade de contra atacar. O resultado veio num escanteio. Bola na área, falha da marcação e o atacante Boselli tocou de cabeça para o fundo das redes de Fábio. O Mineirão que desde os 10 minutos do primeiro tempo já estava um silencio agora era tomado por um canto baixo, mas apaixonado da torcida argentina que compareceu ao Brasil.

O Cruzeiro ainda tentou empatar, é verdade. Tiago Ribeiro chutou uma bola na trave, e depois perdeu um gol feito. Mas a catimba e o controle exercido pelo Estudiantes ao final da partida descontrolava ainda mais os cruzeirenses. Final de jogo, Estudiantes campeão, Cruzeiro pasmo e sem saber o que se passava.

A derrota do Cruzeiro serve de exemplo, e Libertadores está aí, em sua 50ª edição para a todos ensinar (mesmo que em bem menor proporção que em décadas anteriores). Eleito de longa data como campeão antecipado por boa parte da imprensa brasileira, principalmente após o empate na Argentina, a equipe celeste fez o mais difícil na casa adversária, mas não soube “fazer o simples” em seus pagos. Méritos para o Estudiantes, que não se abalou com o empate na Argentina, tampouco com o gol marcado pelos donos da casa na segunda etapa, e mostrou ser um time igual ou até melhor que o Cruzeiro. Toque de bola, habilidade, dribles e Welington Paulista no ataque não suficientes para conquistar a América. E só uma final como essa, digna do cinqüentenário da Copa, para mostrar o que é o futebol. Raça, catimba, garra, humildade e glória redentora. ISSO é Libertadores.

veron

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5 Respostas

  1. Caro amigo Matheus,
    Realmente o Estudiantes está de Parabéns. Teve mais Coração e hombridade, por isso bateu o Cruzeiro.

    ABS.
    CP.

  2. Vou parafrasear o Luxa, pois o Cruzeiro se atentou a não errar, e teve medo de vencer, mesmo quando abriu o placar.

  3. Apesar dos pesares (que não foram poucos para mim ontem) consegui assistir a boa parte do jogo. Concordo com a analise do Matheus. Parabens Estudiantes. Enquanto isso, o tricolor continua sendo o time brasileiro com mais mundiais, libertadores e brasileiros….

  4. Acho que o Estudiantes mereceu o resultado. Jogou no Mineirão lotado e sofreu um gol. Tinha tudo para perder o jogo, mas teve força para empatar e virar o jogo enquanto o Cruzeiro parou depois do empate.

    Abraço
    Renato

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